Irmã Graça Almeida. Imc. Porto (Portugal)
Entre os muitos documentos formativos que a nossa congregação nos tem vindo a propor a caminho de uma missão que sempre quisemos fosse inculturada no tempo e no lugar, privilegiei a reflexão sobre a Missio Dei.
Refletir sobre a missão é uma exigência
Os objetivos do documento aparecem claros logo na introdução: desenvolver “aspectos teológicos, carismáticos e ministeriais” para as Irmãs Missionárias Combonianas”.
O Capítulo 2022, de onde nasce a exigência de uma reflexão “teológica e sistemática” da missão, olhou, e muito bem, para o nosso “empenho” missionário global, e viu a urgência de exercitarmos a contemplação num “mundo em grandes transformações”, sendo esse o lugar onde Deus se comunica.
Será aí que somos convidadas a participar nesse movimento do amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo que vai ao encontro dos homens e das mulheres no tempo e no lugar.
Da mesma forma a Missio Dei pede-nos que valorizemos o contexto político, cultural, geográfico e religioso das pessoas a quem se dirige o anúncio do Evangelho. A missão é de Deus, mas o contexto, esse muda, afirma-se no documento!
Olhar para um novo contexto em mudança
A este propósito chamou-me a atenção o estudo da universidade Lusófona, publicado em Novembro de 2025. Nele se evidenciam as rapidíssimas mudanças do nosso contexto social e religioso.
A Carta das Religiões do Porto, com 490 páginas, ajuda-nos a perceber que já vai longe o tempo quando a maioria da população se identificava com o catolicismo. Ao secularismo da Europa, presente também aqui, veio juntar-se o fenómeno dos fortes fluxos migratórios dos últimos anos a provocar uma nova reconfiguração da nossa sociedade.
Hoje assistimos a um pluralismo religioso que exige uma outra forma de presença!
O pluralismo religioso nas nossas cidades
Vejamos só isto: atualmente há 26 paróquias católicas no Porto cidade; três igrejas ortodoxas; 67 igrejas protestantes e evangélicas; duas igrejas restauracionistas; duas mesquitas; duas comunidades judaicas; três comunidades hinduístas; uma comunidade budista; duas comunidade de tradições japoneses; e oito grupos de doutrinas espiritualistas.
O pluralismo religioso torna-se um desafio ainda maior se olharmos para os números da baixa participação dos fiéis católicos nas celebrações litúrgicas de domingo e o seu baixo nível de sentido de pertença à paróquia.
O estudo da Carta das Religiões do Porto indica que os membros regulares nas paróquias se situa, em média, abaixo das 400 a 500 pessoas, com excepção da paróquia de Ramalde com números inflacionados de seis mil a sete mil membros regulares e da paróquia de Nossa Senhora da Boavista que refere 4000 membros regulares.
A realidade em destaque para o Porto exemplifica o contexto global de toda a nossa sociedade. Para quem como nós tem uma vocação fortemente orientada para a evangelização, este contexto interpela profundamente se podemos ser ainda uma nova esperança missionária em Portugal e na velha Europa.

