Ir. Graça Almeida. Smc. Oporto (Portugal)
Consagração perpétua da Irmã Vera Lúcia Rebelo Rocha
Naquela manhã de 2ª feira, de 8 de dezembro de 2025, Vera parece mover-se com mais leveza e prontidão ao encontro da cada convidado que entra na igreja de Nossa Senhora da Conceição, Olivais Sul, em Lisboa.
De sorriso aberto e brilho nos olhos cumprimenta cada um que vai chegando e oferece-lhe o guião da sua “profissão perpétua”, onde estão escritos os cânticos e as orações para a celebração da Eucaristia.
Entre os participantes encontra-se a sua mãe, alguns familiares, as Irmãs Missionárias Combonianas das várias comunidades em Portugal, alguns sacerdotes Missionários Combonianos, estudantes Combonianos e alguns membros da Direção dos Leigos Missionários Combonianos, paroquianos e amigos vindos de perto e de longe.
Acredito no Amor de Deus e, por isso, respondo “SIM!”
“Descobri que Deus nunca desiste de mim. O seu amor gratuito ensina-me o sentido da fidelidade”, tinha dito a Ir. Vera no testemunho que escreveu quando se preparava para este momento solene da sua profissão perpétua.
Um tema retomado na homilia pronunciada pelo pároco, o Cónego Bruno Machado, quando presidiu à celebração da Eucaristia. “Conhecemos o amor de Deus e, por isso, não temos medo porque Deus já venceu o mundo.
Dirigindo-se à Vera, acrescentou: “O Senhor deu-te a graça de ouvidos que souberam escutar: tu pertences-me! E com humildade soubeste responder: Eis-me aqui! Que São Daniel Comboni te ajude a responder sempre sim, onde quer que estejas!.”
Depois lembrou que o ato de Consagração existe em função do serviço aos outros. É a vocação que leva a participar na missão de Cristo, o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas.
A coragem do SIM permanente
O sentido de permanência que a Consagração Perpétua testemunha, supera a mentalidade de uma sociedade onde este sentido parece ter-se evaporado da lógica comum da experiência humana. Em vez disso, prefere-se viver o instante e o passageiro. E sem compromisso nem raízes fica apenas o efémero.
A Consagração a Deus é esse apelo à fidelidade constante que assenta na certeza de um Deus Amor, em quem confiamos e entregamos cada aspecto da nossa vida terrena. Como lemos no testemunho da Ir. Vera: Ele promete-me uma vida cheia da Sua presença, de pessoas, de entrega, de esperança e de infinitas oportunidades para voltar ao Seu abraço. Num mundo onde tudo parece ser descartável e provisório, quero que o meu “SIM” seja um pequeno grito silencioso a dizer: “É possível amar para sempre!” .
Felizmente, há muitos cristãos que vivem a fé com plena adesão e intencionalidade. Para estes a virtude da fortaleza que receberam do Espírito Santo nos Sacramentos de iniciação e se alimenta com a vivência dos Sacramentos, é uma constante.
Como comentou comigo o catequista João, no final da celebração da Ir. Vera, quando admirava a coragem que a vida missionária exige. Um domingo de regresso a casa da igreja chamou a atenção da filha para reparar nas irmãs missionárias idosas, presentes na missa. E disse-lhe: Vês filha, estas senhoras idosas que agora parecem ser pessoas frágeis, foram mulheres de muita coragem e têm atrás de si uma história profunda de vida e de fé.
A vocação realiza-se no sabermo-nos abandonar à única certeza que existe: Deus ama-nos! Nesta certeza se fundamenta a força de uma vida que se doa aos outros. Como lemos em São Paulo: “glorio-me das minhas fraquezas… pois quando sou fraco, então é que sou forte”.

