De Ir. Rita de Jesus Miranda –Irmãs Escolares de Nossa Senhora – IENS
“Missão é encontro das pessoas no caminho e não na segurança de uma casa. O missionário, nas trilhas de Jesus, rompe qualquer tipo de fronteira e passa todas as fronteiras… A “loucura” Missionária é parte integrante da sua espiritualidade”. (Giorgio Paleari)
Um grande salto
Sou Ir. Rita de Jesus Miranda, faço parte da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora (IENS), Província da América Latina e Caribe (PALC), com sede em Porto Alegre, Rio Grande do Sul – Brasil.
No continente Africano, somos as School Sisters of Notre Dame (SSND), presentes nos países de Gambia, Serra Leoa, Gambia, Nigéria, Sudão do Sul e Quênia, onde cheguei há três meses.
Antes de tudo, quero agradecer pela oportunidade de poder compartilhar sobre este intenso e curto tempo e, dizer que este chamado brotou a partir do 24º Capítulo Geral de nossa Congregação realizado no ano de 2017, onde, uma das linhas de ação para os seis seguintes anos foi sobre ampliarmos nossa compreensão da interculturalidade, com possibilidade para fazer imersão em comunidades de IENS/SSND de culturas diferentes.
Uma grande interpelação
A provincial da África escreveu uma carta convidando e encorajando as Irmãs a colocar em prática essa ação. Me senti profundamente tocada pelo convite. Fiz o meu discernimento e pedido para o Conselho Provincial, e este foi aceito, e aqui estou.
Cheguei em Nairobi, capital do Quênia, no dia 13 de fevereiro de 2024, onde temos uma comunidade. Estive aí por três dias para descansar e encaminhar documentos para permanência no país. No dia 16, juntamente com uma Irmã que foi ao meu encontro, apósuma viagem de oito horas, chegamos na comunidade do Postulantado na cidade de Kisumu, da qual farei parte nos próximos dois anos.
Tempo para ficar quieto, ver e saber
Somos um grupo composto por pessoas de três continentes, e seis países, com diferentes etnias e idiomas. A língua comum para a comunicação é o inglês. Neste início, tenho me dedicado ao estudo do inglês, e, posso contar com o auxílio de uma co-Irmã, que além da língua, vai me ensinando aspectos culturais em geral, e da comunidade local.
Rezar os salmos do Oficio da manhã e da tarde tem sido de grande ajuda nesse processo de aprendizado. A cada dia, me alegro em poder ler em inglês, com mais facilidade, as mensagens do WhatsApp, partilhadas pelas minhas Irmãs.
No compasso do tempo vou integrando nas atividades rotineiras como, sair para fazer as compras, ir até a rodoviária para deixar alguém que vai viajar, e um maior tempo tenho dedicado ao trabalho da horta, algo que gosto muito e através da mesma vou aprendendo como se dá as relações e o respeito para com as diferenças e individualidades.
Há muitas coisas pelas quais devemos agradecer
Um ponto gratificante neste tempo, foi poder conhecer grande parte das Irmãs, inteirar dos acontecimentos e celebrar a vida, por ocasião do nosso encontro da área do Quênia, no qual fui oficialmente acolhida com música e danças.
Algo lindo que percebo e me alegro muito é a vivência da sororidade e fraternidade entre as Congregações Religiosas como, partilha da Eucaristia, bens, trabalho, formação e outros. Essa prática, faz de fato sentir-me em casa.
Até o momento, somente as Irmãs estavam na comunidade. As postulantes começam a chegar nesta primeira semana de maio, após três meses de vivência apostólica e férias junto aos familiares. Isso representa para mim, recomeço de adaptação. Mas como, o não se acostumar a nenhum lugar faz parte da “loucura” missionária, acolho esse novo momento como um abraço acolhedor do Pai e possibilidade de amadurecimento nesta jornada de encontro com as diferenças.
Estou muito feliz de ser presença nesta neste chão queniano, vivenciando o carisma de nossa Congregação enriquecido pelas culturas aqui presentes e descobrindo como posso tornar Cristo visível pelo meu próprio ser.

