Por Inma Cuesta, SMC
Em um extraordinário testemunho de fé e resiliência, a Irmã Esperanza Rosillo, uma Irmã Missionária Comboniana, compartilha sua notável jornada através de uma doença grave, revelando como a adversidade se tornou um caminho para uma compreensão espiritual mais profunda.
Um diagnóstico que marca um antes e um depois na vida
“Quando fui diagnosticada com câncer e submetida a duas cirurgias, além de quimioterapia e radiação, nunca perguntei “por que eu?” Em vez disso, pensei: “por que não eu?”” reflete a irmã Esperanza. Essa perspectiva se tornaria a base de sua abordagem a uma série de problemas de saúde desafiadores que, por fim, levaram à paraplegia.
Sua história toma um rumo inesperado quando, após um tratamento bem-sucedido contra o câncer, ela começou a ter problemas de visão e de mobilidade. Apesar de terem sido inicialmente descartados pelos médicos como sintomas psicossomáticos, esses problemas se revelaram condições médicas graves. “Quinze dias depois que um neurologista sugeriu que meus sintomas eram psicológicos, fiquei paraplégica”, lembra ela com notável serenidade.
A transição para o uso de uma cadeira de rodas elétrica marcou um momento pungente em sua jornada. “Chorei quando trouxeram a cadeira de rodas, não de alegria como pensavam, mas porque percebi que nunca mais voltaria a andar”, compartilha. No entanto, esse momento de tristeza se transformou em uma oportunidade para um propósito renovado.
O sofrimento como testemunho do Evangelho
O que torna a história da irmã Esperanza particularmente convincente é sua redefinição do sofrimento no contexto cristão. “Não se trata da ‘cruz’, como as pessoas costumam dizer”, explica ela. “O Senhor me amava da mesma forma quando eu podia correr como uma gazela. O sofrimento também acontece com os não cristãos. A verdadeira cruz vem do testemunho do Evangelho.”
Devido à sua condição, a irmã Esperanza encontrou novas maneiras de servir, conduzindo a catequese e o trabalho missionário a partir de sua cadeira de rodas. Uma de suas experiências mais impactantes envolveu ensinar catecismo para adultos, onde um homem de 80 anos compartilhou como as aulas dela transformaram sua compreensão do cristianismo “de um fardo para uma libertação”.
A serenidade que o Senhor dá
Agora, aos 78 anos, a irmã Esperanza continua a encontrar propósito e paz em suas circunstâncias. “A coisa mais linda desses dezesseis anos em uma cadeira de rodas foi a grande paz e serenidade que o Senhor me deu”, ela reflete. Sua experiência a levou a uma compreensão mais profunda da fé, uma compreensão que vai além das interpretações tradicionais do sofrimento para encontrar uma liberdade espiritual genuína.
Talvez o mais notável seja o fato de que ela considera que sua oração de longa data por paz e serenidade, que começou em 1971, finalmente foi respondida por meio de sua doença. “O Senhor responde às orações em Seu tempo”, diz ela, observando que o que pode parecer uma resposta atrasada tem seu próprio tempo divino.
A história da irmã Esperanza desafia as narrativas convencionais sobre doença e deficiência na vida religiosa. Em vez de ver sua condição como um castigo ou teste, ela a vê como parte da experiência humana, uma oportunidade para uma conexão mais profunda com Deus e com a comunidade. Seu testemunho oferece um poderoso lembrete de que a verdadeira espiritualidade geralmente se manifesta de maneiras inesperadas, trazendo luz às circunstâncias mais sombrias.

