Ajok Rebecca Hope – Etiopia
Na região de Guji, no sul da Etiópia, funciona uma escola gerida pelas Missionárias Combonianas. Ali, entre salas de aula e conversas de corredor, algo mudou nos últimos tempos — não por decreto, mas por escolha coletiva.
A educação: um pilar da evangelização
A irmã Rebecca, que trabalha nessa escola, partilha a sua experiência com entusiasmo contido mas genuíno. Chegou à Etiópia carregando expectativas e foi surpreendida, desde cedo, pela abertura do povo Guji. “As pessoas são muito amorosas e atenciosas”, conta, descrevendo a facilidade com que se criaram laços no dia a dia da missão.
O trabalho educativo das combonianas no país tem como horizonte oferecer ensino de qualidade a crianças e famílias que confiam na escola. Mas o que a irmã Rebecca quis partilhar não foi um resultado académico, nem um número de matrículas: foi um processo, algo que aconteceu dentro de uma reunião de professores.
As reuniões de equipa são uma prática comum. Juntam-se, discutem-se ideias, identificam-se caminhos para melhorar o ensino. O que nem sempre acontece é que essas ideias saiam da sala e se transformem em ação. “Muitas vezes chegamos a propostas muito sólidas, mas não as colocamos em prática”, reconhece a irmã Rebecca, sem dramatismo.
Um novo estilo
Num determinado encontro, porém, algo foi diferente. O grupo trabalhou em torno de temas concretos: gestão do tempo, responsabilidade, cuidado pelos alunos, avaliação do serviço prestado. Não eram ideias novas. O que mudou foi o modo como cada pessoa se relacionou com elas. “Desta vez, cada um participou de forma muito ativa”, recorda. E no final, foi possível notar que as propostas deixaram de ser “da reunião” para se tornarem de cada um.
Essa mudança teve consequências reais no ambiente escolar. Professores que antes cumpriam tarefas administrativas começaram a sentir o espaço educativo como algo seu — a cuidar da escola, a pensar na sua qualidade, a procurar formas de comunicar melhor com as famílias. “Para mim, esta é uma grande alegria”, afirma a irmã Rebecca, referindo-se especificamente a esse sentido de pertença que emergiu entre os colegas.
Educação integral para todos
Nas missões combonianas, educar nunca foi apenas transmitir conteúdos. É também cultivar dignidade, criar condições para que comunidades inteiras se desenvolvam com os próprios recursos. O que aconteceu naquela reunião na zona de Guji é, à sua escala, um reflexo disso: quando as pessoas se sentem ouvidas e corresponsáveis, o trabalho ganha outra vida.
A irmã Rebecca termina o seu testemunho com gratidão — pelos professores, pela comunidade Guji, pela oportunidade de fazer parte desta missão. “Tenho muito orgulho neles”, diz, referindo-se à equipa docente. Uma frase simples, mas que diz muito sobre o tipo de relação que se constrói quando a missão é vivida de dentro para fora.

