Um relato da Cecilia Sierra (IMC) da Terra Santa
Quando termina o Ramadão
Não é oferecido chá ou café nas casas. É o Ramadão. Esperamos pelo pôr do sol, enquanto conversamos que chegue o momento tão esperado do Iftar.
No deserto da Judeia, entre os beduínos, tal como nas comunidades muçulmanas nas aldeias, o iftar é a refeição que quebra o jejum do dia durante o mês do Ramadão.
As crianças dos sete anos para cima já observam o jejum. A partir das quatro horas da manhã não ingerem qualquer tipo de alimento, nem sequer água. Mohamed e a sua irmã perderam uma quantidade considerável de peso. Têm mais de sete anos e, por isso, participam no mês do Ramadão.
Com a chegada do crepúsculo, os beduínos reúnem-se em grupos familiares ou tribais para quebrar o jejum. Em Jerusalém, um toque de canhão anuncia o início do iftar; noutros locais, o anúncio é feito a partir do alto-falante das mesquitas. Nas aldeias beduínas sem mesquitas, o anúncio é feito através dos telemóveis ou da televisão.
Fim do jejum
No deserto da Judeia, o primeiro alimento dos beduínos para quebrar o jejum pode ser tâmaras ou uma bebida fresca.
A refeição é saborosa, pode-se comer em intervalos até às quatro horas da manhã, altura em que o jejum recomeça. No final, servem doces árabes ou pãezinhos com mel.
“Mesmo que possamos comer, essa comida tem um sabor amargo, por causa do que está a acontecer em Gaza”, diz um chefe beduíno.
Este Ramadão foi um período de grande sofrimento. “Jejuamos a pensar nas pessoas de Gaza e comemos com dor por tantos que não têm nada para comer”. As famílias que visitamos desabafam connosco: “Este Ramadão tem sido muito triste!”dizem.
E amanhã será a festa
Hoje é o último dia do Ramadão. Amanhã é festa. Ficamos com uma família até noite tarde. Comemos. Pedem-nos para passar a noite, mas pensando em tudo o que envolve a preparação da festa, esta vez decidimos não ficar.
É Aid Al Ftr. Os homens levantam-se cedo para ir rezar nas mesquitas próximas. Alguns beduínos vão a Alazareya, outros a Anata. Os homens vão visitar as suas irmãs. A tradição é levar-lhes algum dinheiro, doces e prendas para os sobrinhos e sobrinhas. Este ano será mais triste, pois muitos não trabalham desde o início da guerra.
No segundo dia do Ramadão, as mulheres visitam os pais. As casas paterno-maternas estão cheias, são famílias numerosas.
Aid el Fitr é um momento de encontro, de convívio e de partilha, à espera da paz que tanto se deseja.

