Da Ir. Graça Almeida – Portugal
A Ir. Maria Helena Freitas Lourenço celebra este ano 50 anos de Vida Consagrada Missionária.
Ao chegar a esta data, considera-se privilegiada por ter sido chamada por Jesus a seguir a vocação que muito a realizou e a fez feliz. Levando na bagagem a fé em que “a Deus nada é impossível”, a serenidade nas palavras de Jesus – “tende confiança, eu venci o mundo!” (João 16,29) –, e o sorriso no acolhimento da outra pessoa, partiu ao encontro de culturas e de povos desconhecidos, como membro da comunidade das Irmãs Missionárias Combonianas. Percorreu os caminhos mais remotos do Brasil, do México, da República Centro Africana, do Chade e dos Camarões.
Um percurso de vida
Tendo nascido no concelho de Vila Pouca de Aguiar, na região norte de Portugal, a segunda de quatro irmãs diz que a sua vocação missionária é o tesouro escondido que só descobriu por volta dos 20 anos. Passou um ano a escutar a voz do chamamento, que tão facilmente se confundia com outras vozes. Numa luta interior, um dia decidiu arriscar. “Recordo o dia e a hora em que me pus a caminho”. A Helena levava o segredo do desconhecido, partilhado unicamente com a sua irmã mais velha, que a acompanhava nessa viagem, em direção à casa das aspirantes, em Viseu. “Nesse sábado de 31 de Julho de 1971, abria-se para mim um novo horizonte”, conta.
Depois de completar a sua formação e de emitir os votos em Itália, foi enviada para o Brasil, onde permaneceu cinco anos. “Aprendi muito com as Comunidades Eclesiais de Base com quem trabalhei”, recorda. Foi mestra de noviças, no México, e a seguir foi chamada a servir a Congregação no Conselho Geral, em Roma. “De todos os países, a missão mais pobre que encontrei situava-se na República Centro Africana. Assim, quando acabei o meu mandato em Roma, pedi para ir para esse lugar”, lembra a Ir. Helena.
Missão é estar com
“A opção pelos pobres é uma exigência do Evangelho, não porque são pobres, mas porque são pessoas!”, afirma. Há bens culturais, intelectuais, materiais e espirituais que devem ser comuns a todo o ser humano. Contudo, o bem-estar material só tem valor se for acompanhado com o anúncio de Jesus Cristo, pois só Jesus é o verdadeiro caminho, a verdade e a vida, Aquele que possibilita a plenitude da realização humana”.
A Ir. Helena explica que a missão vai para além do querer ajudar os pobres a ter mais: “Ficar-se pela horizontalidade do: eu já tenho cinco e tu tens cinco, aquele tem quatro, eu também tenho quatro, isso não chega!”, afirma. “É preciso que o missionário vá ao encontro dos povos na profundidade da espiritualidade, com muita oração e escuta. Escuta de Deus e da realidade, porque Deus está nessa realidade e há um grito do ser humano que é preciso escutar”.
Missão é então aprender a ver o outro como uma irmã e um irmão. E isto não é fácil. Só para dar um exemplo: nos últimos seis anos nos Camarões, a comunidade onde vivi era composta por sete irmãs. Quando ganhei consciência de que essas irmãs provinham de três gerações diferentes, eram oriundas de três continentes e que representavam sete nacionalidades, perguntei-me: mas quem fez isto? É só quando vivemos a interioridade na escuta que nos apercebemos de que a Missão é de Deus e de que Ele colabora connosco para a realizarmos. E conclui: missão é fazer que cada um esteja na vida com o seu dom para sermos todos mais felizes.”

