Por Maria Marta Vargas Hdez, irmã comboniana na África do Sul
No vibrante township de Mamelodi, na África do Sul, as Irmãs Combonianas embarcam em uma jornada de diálogo intercultural, onde o diverso tapete da “Nação Arco-Íris” ganha vida.
Maria Marta Vargas Hernández, uma Irmã Comboniana, compartilha um exemplo simples, porém poderoso, desta experiência diária: uma conversa com uma criança falando ndebele, facilitada por uma amiga fluente em sepedi e várias outras línguas locais. Isto é apenas um vislumbre da extraordinária realidade multicultural que define a vida neste township.
A história de apartheid da África do Sul, um sistema de segregação racial institucionalizada, forçou um dia os cidadãos não brancos a estudar e trabalhar em africâner, a língua da raça branca dominante. No entanto, dentro de suas casas, cada língua e cultura prosperava, e a Nação Arco-Íris continuava a existir.
Hoje, os townships continuam a ser centros de diversidade cultural, onde pessoas de diferentes tribos e origens coexistem. No entanto, o legado do passado projeta uma sombra, pois a tendência natural de evitar o “outro” ainda pode ser sentida, mesmo dentro das comunidades cristãs.
“A luta ou a separação entre as tribos também é perceptível dentro das comunidades cristãs”, compartilha Maria Marta. “Poderia ser uma atitude inconsciente de evitar a imposição do ‘outro’ em minha cultura?”
Os desafios se intensificam ainda mais quando se trata da integração de migrantes e refugiados, que enfrentam não apenas a exclusão, mas também a violência brutal na forma de ataques xenofóbicos.
No entanto, no meio desses obstáculos, as Irmãs Combonianas testemunham a presença tangível do Reino de Deus, onde todas as culturas compartilham as mesmas raízes. Elas o veem nos atos cotidianos de bondade, solidariedade e partilha que acontecem na comunidade.
“Esses exemplos são verdadeiros sinais da presença de Deus e sementes de comunhão”, afirma Maria Marta.
A missão das Irmãs Combonianas é construir pontes entre as culturas e diminuir as distinções raciais nas interações humanas. Sua presença, como pessoas “brancas” vivendo em um township, é em si uma declaração poderosa, desafiando as sombras persistentes do passado.
Por meio de seu trabalho pastoral e paroquial, bem como de iniciativas como aulas de costura e visitas semanais, as irmãs se esforçam para fortalecer o desejo de unidade e comunhão que o Evangelho nos chama.
Como disse Nelson Mandela, “A África do Sul pertence a todos que nela vivem”. A jornada das Irmãs Combonianas em Mamelodi é um testemunho dessa visão, onde elas esperam ver uma transição de uma nação de listras bem definidas para um arco-íris de cores misturadas – da sobrevivência à partilha, da tolerância à comunhão e da coexistência ao amor mútuo.
A mudança já começou, pois “O Reino de Deus está próximo” (Marcos 1:15).

