de Sandra R. Amada, SMC
O povo Chiquitano, que habita a fronteira entre Brasil e Bolívia, mantém viva uma relação única com a natureza, onde o sagrado e o cotidiano se entrelaçam de forma indissociável. Em um estudo revelador, a Irmã Sandra Regina Amado, CMS, explora como esta comunidade indígena desenvolveu uma cosmologia que desafia a dicotomia entre sagrado e profano.
“Para os Chiquitanos, os caminhos das águas e as rotas através do território nacional são fundamentais na prática social da reciprocidade”, explica a religiosa. Esta visão se manifesta em uma compreensão fluida da existência, onde as fronteiras – tanto geográficas quanto espirituais – são tão dinâmicas quanto um rio que flui.
Mesmo após séculos de influência jesuíta (1700-1767), os Chiquitanos preservaram sua essência cultural, criando uma singular síntese religiosa e artística. Sua espiritualidade se expressa em danças circulares, celebrações de santos padroeiros e no artesanato tradicional com palha de buriti e cerâmica.
A pesquisadora destaca como esta comunidade conseguiu harmonizar aparentes opostos sociais ao longo de sua história, desde o período colonial até a atualidade. “É um povo que, para sobreviver, agarrou-se à sua ancestralidade, encontrando nos santos dos missionários seus protetores de ontem e hoje”, conclui.
Esta cosmovisão oferece importantes lições sobre sustentabilidade e diálogo intercultural, especialmente relevantes no atual contexto de crise ambiental global.

