Gabriella Lado. Smc.
No Brasil, o mês de maio é conhecido como Maio Laranja. É um mês dedicado à prevenção e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Em nível nacional, é realizada a campanha “Faça Bonita”, uma importante mobilização em prol da proteção da infância e da adolescência.
Uma flor laranja e amarela como símbolo
Essa campanha tem como símbolo uma flor nas cores amarela e laranja e promove inúmeras atividades de conscientização, especialmente nas escolas onde estudam crianças e adolescentes.
O principal objetivo desse movimento é contribuir para quebrar o silêncio que envolve a violência sexual, ajudar a reconhecer os sinais de alerta, incentivar a denúncia imediata por meio dos canais competentes e combater uma realidade que continua afetando gravemente muitas comunidades.
Nesse trabalho, também participa a Igreja, que atua em colaboração com as instituições públicas e outros órgãos. As comunidades mais vulneráveis costumam ser aquelas que permanecem mais isoladas.
Na Amazônia Legal, onde desenvolvemos nossa missão, existem inúmeras comunidades de difícil acesso que, devido ao seu isolamento e à falta de informação, são especialmente vulneráveis. Essa situação deixa muitas meninas e adolescentes expostas e, quando ocorrem casos de abuso ou exploração sexual, torna-se muito difícil detectá-los e prestar-lhes ajuda.
Uma iniciativa da vida religiosa para combater o tráfico de pessoas
Nós, missionárias combonianas, estamos presentes em um desses territórios: o distrito de Calama, pertencente à arquidiocese de Porto Velho. Lá já existe a rede “Um Grito pela Vida”, uma iniciativa da vida religiosa dedicada à prevenção e ao combate ao tráfico de pessoas.
A convite das autoridades locais e em coordenação com as missionárias combonianas presentes na região — uma das quais faz parte do núcleo da rede “Um Grito pela Vida” em Porto Velho —, durante o mês de maio foi organizada a campanha “Faça Bonita” no distrito de Calama.
Uma equipe da rede “Um Grito pela Vida”, juntamente com três missionárias combonianas, deslocou-se até a região para realizar diversas atividades de sensibilização nas escolas, enfrentando todas as dificuldades que implica chegar a essas comunidades. O único meio de transporte é o rio, mas o desejo de contribuir para a proteção das crianças foi mais forte do que qualquer obstáculo.
Formar e informar nas instituições de ensino
Durante vários dias, visitaram diferentes escolas, onde trabalharam diretamente com os alunos e alunas. Além disso, levaram esse trabalho de conscientização às pequenas comunidades cristãs ribeirinhas, promovendo encontros, atividades e espaços de diálogo para ajudar as crianças a reconhecerem situações de abuso, compreenderem que têm o direito de pedir ajuda e saberem como comunicar qualquer situação de violência às suas famílias ou a pessoas de confiança.
Da mesma forma, trabalhou-se com toda a comunidade para fortalecer a proteção à infância, oferecendo ferramentas para identificar situações de risco, agir diante delas e criar ambientes mais seguros para as crianças.
Embora o mês de maio já tenha terminado, esse compromisso continua. A prevenção do abuso, da exploração sexual e do tráfico de pessoas não pode se limitar a uma campanha anual. Por isso, a presença das missionárias neste território continua sendo fundamental para continuar sensibilizando, acompanhando as comunidades e trabalhando a cada dia pela proteção e pela defesa da vida.

