di Ir. Nilma Jesus, mc
Conheci padre Alfredo há 26 anos. Ele é chadiano e é padre da diocese de Sarh. Foi reitor do Grande Seminário, professor, pároco, vigário episcopal e é apaixonado pela música e pelas diferentes línguas. Ele fala ao menos 10 línguas e é um biblista que sabe ruminar a Palavra de Deus.
Depois de um certo tempo, começou a sentir a necessidade de partir em missão. A Igreja de Sarh estava preparando o Plano Pastoral com o tema: Igreja, Família de Deus em Missão. Ele fazia parte da equipe que estava elaborando o Plano Pastoral e esse processo desencadeou nele um chamado a ir mais longe, à se dedicar ao anúncio do Evangelho aos que ainda não conhecem Jesus Cristo.
Em diálogo com o bispo, foi enviado em uma região norte da diocese, Boum Kebir, onde não havia presença religiosa. Mas, antes de ir, pegou o tempo necessário para aprender o árabe, língua falada naquela localidade.
Depois da aprendizagem da língua, em dezembro de 2021, pe. Alfredo pegou a mochila em cima de uma moto e lá se foi. Foram 9 horas de viagem e para atravessar o rio, coloca a moto na piroga e lá continua a sua viagem. Tudo a organizar, mesmo a casa para morar, sem água, sem luz, sem conexão etc.
O setor de Boum Kébir é um dos setores da paróquia de Kyabé que é a paróquia mais vasta da diocese de Sarh. Boum Kébir se encontra à beira do Lago Iro, situado aproximadamente há 250 kms de Sarh. Ele fica isolado por aproxidamente 6 meses, durante o período das chuvas, pois a travessia do rio Barh Salamat é impossível.
Segundo as estimativas de 2009, o setor teria 18.380 habitantes. Tres grupos étnicos vivent la vice-prefeitura de Boum Kébir : os Goulas, os mais numerosos (estimados em 11.000 habitantes); os Sara e os Arabes. O arabe é a língua de comunicação ordinária e comercial porque as tres línguas não tem nada em comum qui favoreceria uma inter-compreensão.
Neste setor, há entre 60 à 80% de muçulamanos, 10 à 30% de cristãos et 10% pertencentes à religião tradicional. Há localidades que não há nenhuma presença cristã, por exemplo, Moufa, onde pe. Alfredo começou uma presença de sensibilisação em fevereiro de 2022.
O povo vive essencialmente da agricultura, da pesca e da criação de galinhas, cabritos, etc.
O mercado hebdomadário da terça-feira é um fenomeno sagrado qui movimenta as cidades circundantes, os comerciantes de Sarh, Kyabé, Antiman e Mongo quand as chuvas permetem.
No plano das estruturas sociais e educativas, é uma região esquecida da administração pública. Segundo o inspector, teria 33 escolas primárias na vice-prefeitura só com 2 professores, que são funcionários públicos, todos os outros são animadores educacionais com níveis de formação que deixam a desejar. Tem somente um colégio para toda a região.
Neste contexto, que pe. Alfredo se ofereceu para viver a dimensão missionária do seu batismo. Tive a oportunidade de visitar esta missão uma vez e percebi logo as alegrias e os desafios do anúncio e testemunho de Jesus Cristo.
Percebo que a vida missionária é sempre uma aprendizagem, um jeito de caminhar com o outro/a despojado/a de tudo para viver plenamente a vida em Deus, com Ele e com o povo de forma criativa e dinamica.
Tive a oportunidade de aprender com pe. Alfredo o significado de algumas das diferentes culturas presentes nesse imenso país do Chade, com todas as suas diversidades e controvérsias; revivi a alegria das relações interpessoais vividas no respeito das nossas diferenças e semelhanças. A amizade com pe. Alfredo foi um incentivo à buscar sempre algo novo, sair da minha zona de conforto para descobrir a novidade que Deus tem para cada um de nós.

