de Gabriella Gado, mc – Brasil
Nazarena é a Primeira Brasileira Missionária Comboniana, com 89 anos de idade e 62 anos de profissão religiosa. Ela vem do estado do Espírito Santo, o primeiro estado onde as Missionárias Combonianas chegaram no Brasil.
O que inspirou/motivou-a a se tornar irmã?
Nazarena morava em uma comunidade rural que não tinha padres ou freiras. Ela teve o primeiro contato com religiosos quando um Franciscano foi realizar uma missão em sua comunidade. Algum tempo depois, ela encontrou um jornal que trazia a foto de uma Irmã Vicentina ajudando os doentes e os pobres. Naquele momento, ela pensou que a vida religiosa não era para pessoas pobres como ela, pois na época não tinha estudos. Com o passar do tempo, ela foi para a cidade de João Neiva, onde encontrou as Irmãs Missionárias Combonianas, que haviam chegado recentemente. Ela se encantou com o trabalho das irmãs, que se dedicavam aos pobres, negros e crianças. Nazarena diz que se apaixonou pelo trabalho delas, tanto que quando foi convidada pelo padre Ângelo de Loro para visitar as irmãs de vez em quando, começou a ajudá-las nos serviços com as crianças. Assim, começou sua orientação vocacional e descobriu que poderia ser missionária, mesmo sendo pobre.
Ela afirma com suas próprias palavras: “Minha vocação era para os pobres e mais necessitados. Foi Deus quem me chamou, e nunca me arrependi de dizer ‘sim’ a Ele.”
Quem é Deus para você?
Nazarena diz que, para ela, “Deus é tudo, porque foi com a graça Dele que eu consegui realizar algo; sem a graça Dele, não fazemos nada. Sempre senti que Ele me ajudou a fazer muitas coisas que eu não me sentia capaz. Sempre fui feliz em qualquer lugar para onde fui enviada. Sempre senti que a graça de Deus estava comigo.”
Contribuições e Alegrias
Nazarena trabalhou na pastoral de crianças, na formação bíblica para leigos e na formação das lideranças das pastorais e paróquias. Ela também administrava uma paróquia em uma missão que não tinha padres. Após seu serviço na paróquia, ela decidiu estudar enfermagem para trabalhar em um hospital maternidade que atendia a pessoas em situações difíceis de pobreza e falta de atendimento médico. Ela menciona que aprendeu muito com a colaboração da Irmã Silvana, que trabalhava lá antes dela.
Uma de suas maiores alegrias era ver a felicidade do povo ao receber formação. Isso a motivava ainda mais a oferecer o seu melhor em serviço a esse povo sedento por Deus.
Desafios e Gratidão
Nazarena conta que o maior desafio que enfrentou foi administrar uma paróquia sem padre. Ela sentia que não estava totalmente preparada para isso, mas, com a graça de Deus, foi capaz de superar as dificuldades.
Como missionária, também foi difícil adaptar-se à culinária italiana.
Atualmente, em sua idade avançada, ela diz que sua missão é rezar pelas situações do mundo atual e acompanhar as atividades das irmãs em missão ativa por meio de sua oração. Ela se alegra muito ao receber boas notícias da missão. A maioria das notícias que ela recebe hoje são das terras por onde ela passou, agradecendo pelo trabalho feito muitos anos atrás, que agora está ajudando muito as comunidades mesmo na ausência das irmãs. Mensagens como: “Você foi minha mestra em Bíblia e na formação de comunidades, e agora estou evangelizando; nunca esqueço o que você me ensinou”, a fazem sentir-se feliz e realizada em sua vocação, que não foi em vão, mas gerou frutos que estão perpetuando a missão.
Ela conclui: “Nunca me arrependi de ter arriscado ser freira (missionária), mesmo sem conhecer nada. Sempre fui feliz!”

