de Gabriela Lado,smc & Sr. Maria Jesús Sanabria, smc – Cujubim, Amazzonia brasiliana
No coração da Amazônia brasileira, uma crise silenciosa está testando a resiliência de milhares de famílias. Desde a publicação da encíclica Laudato Si do Papa Francisco, a realidade das comunidades em Cujubim e em toda a região amazônica tem se tornado cada vez mais desafiadora.
“Os desertos exteriores multiplicaram-se no mundo, porque os desertos interiores tornaram-se tão amplos” (LS 217). Esta frase da Laudato Si expressa perfeitamente a realidade em que a nova comunidade de Cujubim se encontra. Famílias simples que originalmente habitavam a terra estão sendo deslocadas por empresas e pessoas ricas que vêm explorar a região às custas da comunidade local.
Irmã Gabriela Lado relata: “As grandes fazendas de soja estão tomando as terras das famílias. Os produtos químicos usados nessas fazendas tornam as plantações das famílias vizinhas improdutivas e representam um grande risco à saúde. A vida se torna insuportável, levando à migração para condições desfavoráveis nas cidades”.
As famílias que chegam às periferias das cidades geralmente estão desempregadas e sem condições de sustentar a família. Como resultado, caem na exploração de empresas ilegais de extração de madeira e comerciantes de carvão, que as usam para seu próprio benefício, pagando muito pouco ou apenas fornecendo comida após um dia de trabalho.
Em resposta a esta crise, as Irmãs Combonianas estão abrindo novas capelas (comunidades cristãs) a pedido do Arcebispo para oferecer apoio espiritual, psicológico e moral a essas famílias que chegam, sendo uma presença consoladora de Deus em seus sofrimentos. “Oferecemos formação cristã aos membros e criamos consciência sobre ecologia integral, visando a transformação dos corações”, explica Irmã Gabriela.
Enquanto isso, em Porto Velho, Brasil, onde já se pode respirar a Amazônia, a situação é igualmente preocupante. A poluição excessiva, as queimadas, a exploração de recursos como mineração e desmatamento, pecuária e agronegócio estão destruindo o tesouro da região amazônica de forma irreversível.
Durante o Fórum Pan-Amazônico (FOSPA) realizado na Bolívia em 2024, esta situação delicada foi profundamente analisada. A conclusão mais chocante é que um **ponto de não retorno** foi alcançado nos danos causados à Floresta Amazônica.
Em resposta, vários grupos de Rondônia decidiram formar um Comitê Popular para a Defesa da Água devido à situação do Rio Madeira. Este comitê está trabalhando para participar da COP30, que acontecerá em 2025 em Belém, Pará, Brasil. A ideia é apresentar este apelo juntamente com outras questões relacionadas à crise que vivemos na região amazônica.
Intenção de oração:
“Agradecemos a Ti, nosso Deus Criador, pelo precioso dom da Mãe Natureza, nossa casa comum com toda sua diversidade, que nos sustenta com tudo o que precisamos. Pedimos por todas as pessoas que se dedicam a lutar pela preservação de nossos recursos e que vivem dia após dia arriscando suas vidas para defender a Natureza e os territórios das mãos do opressor, do explorador e do egoísmo, para que possamos viver em nossa casa comum com dignidade e liberdade.”
Ação:
- Informar-se sobre a situação da Amazônia e compartilhar essas histórias.
- Apoiar organizações que trabalham pela preservação da Amazônia e assistência às comunidades locais.
- Refletir sobre nossos próprios hábitos de consumo e como podem impactar comunidades vulneráveis na Amazônia.
Em conclusão, enquanto a Amazônia continua lutando contra a exploração e o deslocamento, o trabalho das Irmãs Combonianas e dos grupos de defesa ambiental nos lembra que, mesmo nos momentos mais sombrios, sempre existe a possibilidade de fazer florescer o deserto. Através do cuidado com a terra e com as pessoas, eles estão demonstrando que a mensagem da Laudato Si não é apenas uma teoria, mas uma prática diária de esperança e renascimento. Descarta o livro de oração

